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EM TEMPOS DE RECESSÃO ECONÔMICA, CRÉDITO COOPERATIVISTA TEM MELHOR RESULTADO DA HISTÓRIA

 

O sistema de crédito cooperativista cresceu na crise de 2008/2009. Os números indicam que a história se repetirá este ano.  O Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) do Espírito Santo dobrou de tamanho nos últimos três anos e acaba de fechar o melhor primeiro semestre de sua história.

 

O saldo de ativos da instituição financeira não bancária era de R$ 1,86 bilhão em junho de 2012. Hoje já superou R$ 4 bilhões. Só no primeiro semestre deste ano, o lucro líquido aumentou 46% em relação ao mesmo período de 2014 – os bancos privados tiveram resultado médio de 20%. Nos últimos três anos, a oferta de crédito passou de R$ 1,3 bilhão para os atuais R$ 3 bilhões. Os depósitos também aumentaram. Em 2012 o volume registrado era de R$ 1,25 bilhão, de janeiro a junho deste ano, R$ 2,6 bilhões.

 

Mais que motivos levam a instituição a aumentar suas atividades em um período onde os bancos privados se recolhem? O presidente do Sicoob ES, Bento Venturim, responde essa pergunta elencando o modelo cooperativista de crédito. O associado é o dono do dinheiro. Ou seja, sócio do próprio empréstimo. “Nosso planejamento estratégico não nos permite paralisar. Claro que tudo isso depende da disposição de nosso associado de enfrentar a crise e fomentar novos negócios. No meio rural, por exemplo, não existe como parar de cuidar da lavoura. Ou no próximo ano o produtor não colhe nada. É preciso continuar”, afirma.

 

Leia entrevista completa:

 

O Sicoob é o maior sistema de cooperativa de crédito financeiro do Brasil. Qual função a instituição deve ter nesse momento econômico?

Temos a função de um banco de desenvolvimento, no modo geral. O compromisso é reaplicar todo esse recurso nas comunidades de onde ele é captado. No interior temos uma visão próxima da Secretaria da Agricultura. Quando achamos que a direção está correta, percebemos que se o esforço de todos for em uma mesma direção, temos mais êxito. No Norte o forte é o café. Somos o maior repassador do Funcafé [Fundo de Defesa da Economia Cafeeira] desde 2002 no Espírito Santo. Nas montanhas o café também tem expressão. No Sul a pecuária. Vamos onde a atividade está.

 

A instituição tem tradição de atuar nos negócios do campo. Isso continua?

O maior repassador de credito rural do Espírito Santo é o Banco do Brasil. Segundo é o Sicoob. Aproximadamente 25% do total da nossa carteira de credito própria está voltada ao meio rural. E ainda existem linhas de credito do Governo Federal.

 

O Sicoob também atua na mancha urbana? Qual a carta de clientes?

Hoje não somos mais só de credito rural. Hoje a maior participação dos nossos resultados já é de pessoa jurídica. Estamos abertos a todas as categorias profissionais. Por determinação legal, éramos uma cooperativa de crédito rural. Desde 2003 fomos autorizados pelo Banco Central a trabalhar com todas as categorias profissionais. Ainda somos fortes no interior, onde fazemos crédito rural e comercial. Estamos cada vez mais na Grande Vitória. Atendemos em todo o Estado e onde a necessidade do nosso associado se apresenta. Nossa carteira de clientes é formada por 15% de pessoas jurídicas que já são responsáveis por aproximadamente 50% do nosso resultado. Isso demonstra como foi importante abrir o leque das nossas atividades.

 

Mas como funciona isso de ser associado do próprio empréstimo?

Não temos nenhuma fonte que nos dá recurso para entregarmos ao associado. O recurso que repassamos é o mesmo que o associado investiu aqui.  Nunca tivemos problemas de recurso. Não temos problema em atender nosso produtor rural. Nosso planejamento estratégico não nos permite paralisar. Claro que tudo isso depende da disposição de nosso associado de enfrentar a crise e fomentar novos negócios. No meio rural, por exemplo, não existe como parar de cuidar da lavoura. Ou no próximo ano o produtor não colhe nada. É preciso continuar. Estamos ao lado do associado para ajudá-lo.

 

Posso chamar o Sicoob de banco?

Temos todos os produtos bancários, mas somos uma instituição financeira não bancária. Enquanto cooperativa temos uma legislação ordinária (Lei 5764, de 1971). Especificamente para cooperativas de credito temos a Lei Complementar 130, aprovada em 2009. Somos sem fins lucrativos. Só podemos trabalhar com sócios. Não temos lucro. Repartimos as sobras acumuladas durante o exercício com os associados. Nos 26 anos de atividades do Sicoob no Espirito Santo, nunca fechamos um exercício no negativo. Fechamos o primeiro semestre deste ano com R$ 2,70 bilhões de créditos liberados. Um montante 24% superior ao que foi liberado no mesmo período de 2014.

 

É o maior resultado da história do Sicoob?

Sim. Esse primeiro semestre fechamos com R$ 123 milhões e 600 mil de sobras. Isso significa 46% a mais do que no primeiro semestre do ano passado. Puxado pelas taxas e por tudo que fizemos nesses 26 anos. Nossos associados cada vez mais acreditam na nossa cooperativa. Em 2014 nosso resultado foi quase o dobro de 2013. A expectativa é de que, no final do ano, cheguemos aos R$ 240, ou R$ 250 milhões. No ano passado nossas sobras foram de R$ 195 milhões.

 

O cooperativismo vai repetir o crescimento conseguido na crise de 2008/2009?

O cooperativismo é solução espetacular para todo momento que as pessoas quiserem. Não por acaso 2012 foi o ano internacional do cooperativismo. A ONU estabeleceu isso depois da crise de 2008/2009. Os bancos nesse período diminuíram de tamanho, se armaram contra a crise. As cooperativas, pelo contrário. As cooperativas nasceram na Revolução Industrial, na maior crise de emprego já registrada. Na dificuldade as pessoas se juntam. Hoje não estamos fazendo ato de irresponsabilidade. Distribuímos credito por acreditarmos ser possível melhorar a qualidade de vida de nossos associados. Se não for assim, a cooperativa não tem sentido. Temos 91 agências espalhadas pelo Estado. Estamos abertos a todas as pessoas que quiserem vir participar e fazer com que esse sistema cresça e se fortaleça cada vez mais.

 

 

 

 

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