Redação
Presidente Kennedy

 

VEREADOR TECE CRÍTICAS À ADMINISTRAÇÃO DA PREFEITA AMANDA QUINTA E CONTA O QUE ENTENDE SER MAZELAS NO ATUAL GOVERNO

 

Bruno das Neves Silva é vereador em Presidente Kennedy, município no litoral Sul do Espírito Santo. Atuante em uma Câmara de Vereadores com nove integrantes mostra profunda revolta – e desgosto – em relação ao comportamento de quem comanda o Executivo de sua cidade. “É a volta do coronelismo. A volta do colonialismo. Como se fossemos os escravos de um grupo que reina e governa do jeito que quer”, disse o vereador que tem o PHS como legenda.

 

O Brunão do Povo é claramente crítico da administração da prefeita da cidade, Amanda Quinta, quem diz ser apenas um fantoche na mão de um grupo de gente que cala as pessoas com retaliações e ameaças. “Eu não me calo. Vou denunciar os problemas da minha cidade”, diz o edil, que não entende como um município com dinheiro em caixa não consegue prosperar.

 

“Quem vem a Kennedy tem medo. A cidade está largada. Sem estrada, com péssimo atendimento na área de saúde e um índice de desemprego altíssimo”, disse em entrevista ao Grupo Folha do Caparaó.

 

Bruno contou tudo que pensa e afirma ser verdade à reportagem deste jornal. Até o nome do prefeito que governa a cidade sem aparecer nos quadros políticos. “Ele é funcionário. Ganha cerca de R$ 10 mil por mês fora as regalias”, disse. Confira a entrevista.

 

GFC – Quais são os problemas de Presidente Kennedy hoje?

Brunão do Povo – O principal deles é a prefeitura não estar na mão do povo de Kennedy. Quem governa lá José Augusto, o companheiro da prefeita. Ele que dá a última palavra. A prefeita é apenas um fantoche. Não se há um grupo econômico por trás do José Augusto Rodrigues de Paiva, mas é bem possível que sim.

 

GFC – O que você descobriu neste tempo como vereador?

Brunão – Desde o início da gestão, a Câmara abraçou a prefeita quando ela pediu nosso (vereadores) apoio para reconstruir Kennedy. Tudo isso depois daqueles escândalos, quando teve a intervenção. Abraçou para a gente devolver à população pelo menos o direito de sorrir. A gente queria desfazer esta imagem de que Kennedy era o patinho feio do Estado. O Legislativo deu todas as condições para a prefeita trabalhar. Orçamentos milionários. Posso até citar os valores. 2013, R$ 311 milhões. 2014, R$ 478 milhões. 2015, R$ 462 milhões. Isso, fora o superávit que ela poderia estar utilizando. Aí, de repente, o que eu constatei é que simplesmente a prefeita não era a prefeita.  Ela defendia o interesse de José Augusto e um grupo dele que a gente nem sabe direito quem faz parte. Foi então que eu comecei a fiscalizar mais de perto. Eu tinha que averiguar o que estava acontecendo.

 

GFC - E como começou esta desconfiança?

Brunão – Quando o Poder Executivo deixa de atender os anseios das comunidades através dos vereadores... Para de ouvir vereador para se reunir única e exclusivamente com empresariado, para mim já é um indício de que existe alguma coisa por trás que não cheira bem. A partir do momento que a prefeita só atende a pedidos do grupo que é comandado por José Augusto, para mim já é suficiente que eu devo ficar atento.

 

GFC – E o que você já apurou de irregularidade?

Brunão – Eu tenho embasado meu trabalho Primeiro: quando o Tribunal de Contas do Estado começou a suspender as licitações, é sinal que dentro da legalidade nada está acontecendo. Desde deste momento foi que nós, da Câmara de vereadores, começamos a pedir os papéis sobre o que achávamos estranho. Só que não tivemos resposta. Estamos aguardando o prazo regimental para ver se vamos abrir uma CPI contra a prefeita Amanda. A coisa só não andou para frente por causa do Presidente da Câmara. (Jacimar Marvilla Batista). Ele atende os anseios do José Augusto.

 

GFC - E o Ministério Público?

Brunão – O MP já foi acionado em alguns questionamentos. A gente acredita que, muito em breve, o MP vai tomar posição.

 

GFC – Fala-se em construir um porto em Kennedy. Há infraestrutura na cidade?

Brunão – A estrada para lá é ruim. Isso aí é vender ilusão. Hoje a cidade precisa de muito mais que um porto. Querem usar isso como marketing eleitoral para ganhar o voto de quem está desesperado por emprego. Mais grave é se fizer as contas por empregado na prefeitura por número de habitantes. Kennedy era a quarta do Estado. Já deve ter subido, infelizmente, neste ranking aí. A prefeitura não para de terceirizar e contratar.

 

GFC – Como é a divisão política da Câmara?

Brunão – Tem quatro vereadores que são oposição e cinco, incluindo o presidente, que defendem a prefeita. O presidente, volto a dizer, que deveria tomar as rédeas do Poder Legislativo mas fez da Câmara Municipal de Kennedy uma extensão do gabinete da prefeita. O vice dela, João Bosco Ceccon, quer distância dela. Mais um que quer distância dela porque é trabalhador e não serve para trabalhar com ela...

 

GFC – Quais são os problemas sociais mais graves da cidade hoje?

Brunão – Desemprego gritante, falta de estrutura na área da saúde, com péssimo atendimento, estradas... (pausa)... Bem, estradas não existem. Tudo em situação caótica, inclusive o trecho que liga à BR 101. Na educação, parece que Kennedy está trinta anos atrás no que diz respeito à qualidade da educação. Paga-se bem, investiu-se, mas a qualidade do ensino dado aos alunos ainda deixa a desejar. De uma maneira geral, eu poderia dizer que o serviço público prestado é de péssima qualidade. A população de Kennedy hoje tem que se humilhar para conseguir qualquer coisa. Kennedy era para ser uma Quissamã capixaba. Tem ruas bonitas. Você vai em Kennedy dá vontade de sair correndo. Na praia não tem um banheiro. Não tem uma lanchonete. Tem sim uns comerciantes locais que ainda bravamente resistem, mas sem apoio do Poder Público. A orla está uma vergonha. Visualmente, a cidade é um terror. E olha que a cidade tem um potencial turístico maravilhoso. Cadê a indústria limpa para gerar emprego e renda? Cadê? Kennedy está jogado às traças. O dinheiro público está saindo e nada tem sido feito. OS benefícios não chegam à população.

 

GFC – E há dinheiro em caixa para melhorar a cidade?

Brunão – Nós temos R$ 2 bilhões em caixa. Bilhões. O dinheiro não é posto para obras na cidade porque na hora da elaboração dos projetos, eles já são superfaturados. Aí, o Ministério Público barra. O valor das obras é gritante. Muito superior ao normal.

 

GFC – Então, a cidade virou um pequeno reinado?

Brunão – Nós voltamos à época do colonialismo. Parece que somos todos escravos. Ninguém pode ter uma opinião diferente de quem está no poder. É uma ditadura.

 

GFC – Quais serão os próximos passos da oposição?

Brunão – Temos que saber qual vai ser a opinião do MP contar os mandos e desmandos de José Augusto para tomarmos uma posição. Os outros vereadores de oposição estão comprometidos em retomar o município. Em recuperar Kennedy.

 

GFC – José Augusto tem cargo na Prefeitura?

Brunão – Ele? Ele é assessor técnico especial na Prefeitura. Ganha cerca de R$ 10 mil, mais um carro e regalias. Gasolina, combustível, motorista. Tudo. A Amanda (prefeita), inclusive, está procurando um partido para ir. 

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