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DIRETORES DO SEBRAE-ES AVALIAM EXPANSÃO DA CAPACITAÇÃO E ORIENTAÇÃO DOS EMPREENDEDORES DO INTERIOR E A SITUAÇÃO DAS PEQUENAS EMPRESAS NO ATUAL CENÁRIO ECONÔMICO

 

Em meio a retração da economia, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) acaba de lançar campanha que conscientiza a população da importância de consumir de micro e pequenas empresas. José Eugênio Viera e Ruy Dias de Souza, respectivamente superintendente e o diretor de atendimento do Sebrae ES, avaliam que o momento é de cautela para os pequenos negócios. Porém, ambos apontam que a crise chegou primeiro nas grandes empresas.

 

“O que precisamos fazer agora é criar sustentabilidade para quem está no mercado ou acabou de entrar. Está é a ação do Sebrae. Uma ação que tem seu clímax em outubro. O Movimento Compre do Pequeno Negócio estabeleceu o dia 5/10 como data oficial, por se tratar do dia em que foi instituído o Estatuto da Micro e Pequena Empresa”, explica Ruy Dias.

 

No Espírito Santo os pequenos negócios representam 99% do total de empresas, que respondem por 28% do PIB no Estado e por 58% do total de empregos formais. Em um universo tão abrangente, José Eugênio Viera afirma que os serviços da instituição nunca foram tanto em direção aos capilares da economia local. “Em 2011 fazíamos cerca de 25 mil atendimentos. Encerramos o ano passado com 160 mil. A maioria para o interior e localidades menos favorecidas”, contabiliza o superintendente. “O Sebrae foi para as periferias, para o interior”, complementa.

 

Leia entrevista completa:

 

Tivemos uma crise econômica em 2008/2009. Qual a diferença daquela situação para retração econômica hoje sentida no país? As micro e pequenas empresas tendem a sofrer mais que as grandes?

José Eugênio: A crise de 2008/2009 é diferente dessa agora. A anterior pegava mais as empresas ligadas as commodities. Naquela ocasião, especulava-se muito que a economia capixaba seria atingida.  Foi, mas na questão dessas empresas que atuam no mercado exportador. Naquela ocasião, as micro e pequenas empresas não deixaram que o Estado sentisse essa crise. Se você pega as estatísticas da junta comercial naquele período, não tem um mês em que o saldo das empresas que abriram e fecharam fosse negativo. Nem na arrecadação o Estado sentiu, pois as empresas de commodities não geram indiretamente ICMS nem para os Estados, nem para os municípios. Diferente de agora, que temos uma crise institucional que afeta a questão econômica de todo o país.

 

E atualmente, mais empresas são abertas que fechadas? O desemprego chega primeiro nas grandes ou pequenas empresas?

José Eugênio: Mais uma vez você pega as estatísticas das empresas abertas e fechadas. O balanço é favorável com saldo positivo de quase quatro mil empresas abertas neste ano. O que está havendo? Pode ter um percentual altíssimo de pessoas que perderam seus empregos, recebem suas indenizações e estão abrindo negócios. A estatística não permite saber quem é pequeno, médio ou grande.

 

Ruy Dias: O que precisamos fazer agora é criar sustentabilidade para quem está no mercado ou acabou de entrar. Esta é a ação do Sebrae. Uma ação que tem seu clímax em outubro. O Movimento Compre do Pequeno Negócio estabeleceu o dia 5/10 como data oficial, por se tratar do dia em que foi instituído o Estatuto da Micro e Pequena Empresa. Trata-se de uma campanha de conscientização da importância de se comprar da pequena empresa.

 

Ainda é um bom negócio abrir um negócio?

Ruy Dias: Os projetos inovadores têm espaço em qualquer momento. É necessário adaptar-se à situação, reduzir os custos. Ter inteligência nas receitas, vendas. Quem vai abrir um negócio tem que falar com muita gente. Com o Sebrae, com sua comunidade, pessoas de referência. Além de montar um plano de negócios que deve ser seguido com exatidão.

 

José Eugênio: Muitas vezes, numa hora dessas, a pessoa não percebe o quanto é importante fazer gestão para sobreviver. Aí entra o Sebrae. Orientamos os segmentos tentando melhorar os negócios por meio da gestão. Alguns empresários acham que tendo capital já é o suficiente para abrir um negócio. Não é. É preciso ter um bom plano.

 

Os pequenos negócios representam 99% do total de empresas, que respondem por 28% do PIB no Estado e por 58% do total de empregos formais. Como alcançar uma atividade tão abrangente?

Ruy Dias: O Sebrae trabalhava com a parte de cima da pirâmide sócio econômica das micro e pequenas empresas. No caso, os grandes arranjos produtivos locais: madeira e móveis, rochas ornamentais, vestuário, construção civil... Muito justamente. Um projeto ou outro atingiam outros pontos. Nos últimos anos descemos para o lado mais baixo dessa pirâmide. Precisávamos abordar esse universo de maneira mais democrática e unificada. Criamos vários projetos que desciam até essa base. Conseguimos ser onipresentes dentro do Estado do Espírito Santo. Nosso Estado tem essa facilidade. Não somos como nosso vizinho que tem mais de 800 municípios. Temos 78. Então, por que não fazer projetos que abordassem toda a coletividade? Criamos ações que vão a todas as manchas urbanas, até nos assentamentos. Temos projeto que vai porta a porta. Não esperamos. Nós vamos. Esse é o nosso movimento.

 

José Eugênio: Em 2011 fazíamos cerca de 25 mil atendimentos. Encerramos o ano passado com 160 mil. A maioria para o interior e localidades menos favorecidas.

 

Como o Sebrae alcança as áreas rurais, o interior?

Ruy Dias: Na área rural existem projetos de turismo, para produtores de café, leite, fruticultura. Ainda tem sempre algum empreendedor que não cabe em nenhum dos nichos estabelecidos. Para esse criamos uma plataforma genérica que vai até a propriedade do produtor e vê a vocação que ali existe.

 

José Eugênio: O Sebrae foi para as periferias, para o interior. Por exemplo, o empreendedor recebe consultoria no seu negócio dos pontos que avalia ter maior dificuldade. Empresários, gerentes e funcionários são conscientizados em um mesmo processo de melhoria.

 

Vamos saída da crise? Como as micro e pequenas empresas podem colaborar com isso?

José Eugênio: Você pode analisar todo o histórico de crise que teve o Espírito Santo. Pega lá na erradicação dos cafezais, o Estado sempre foi muito criativo. Nosso empresário é criativo, consegue sair da crise. O correto é sair da inércia de dizer que se tem uma crise e buscar solução para ela. Quando o Sebrae nacional chamou suas unidades para participar do Movimento Compre do Pequeno Negócio já foi com essa visão. Temos que partir para ação. Estou otimista.

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