Guilherme Gomes
Alegre

 

O MÚSICO DANYEL SUETH, VOCALISTA DA BANDA ESTADO DE SÍTIO, SE PREPARA PARA APRESENTAR NOVIDADES PARA ESSE SEGMENTO. É O VOXER, PROJETO SOLO E MUITO PARTICULAR

 

Considerado por muitos como uma vertente rebelde e marginalizada da música, o rock n’ roll, é para tantos outros uma filosofia de vida. Por ele, podem ser compreendidos diversos aprendizados e o valor de verdadeiros sentimentos. E pelo sul do Espírito Santo, o rock tem sido bem representado pelas bandas independentes e músicos com anseio de mostrar seus trabalhos.

 

Em Alegre, o músico Danyel Sueth, vocalista da banda Estado de Sítio, se prepara para apresentar novidades para esse segmento. É o Voxer, projeto solo e muito particular, pois além de ter composto e gravado todas as músicas do álbum, intitulado de Caos, é também o primeiro disco do qual ele assina a produção e mixagem.

 

O lançamento será online, com download gratuito, no próximo dia 28, pelo site www.bandavoxer.com.br. O disco de estreia gravado no período de três meses no i9 Estúdio, agora locação do Estado de Sítio, no qual o líder da banda assume as rédeas de produtor musical. Sendo necessários mais quatro meses para finalização de mixagens, edições e masterização. O álbum bebe em referências de bandas mais pesadas que se consagraram por riffs de guitarras vigorosos, entretanto, trazendo todas estas influências com a sua marca e letras cantadas em português.

 

A ideia se deu enquanto o Estado de Sítio terminava a pré-produção do seu segundo disco e o vocalista resolveu fazer algumas músicas em separado para trabalhar na produção musical. O resultado foi além do esperado, o que era para ser apenas umas músicas de laboratório, acabou virando um álbum inteiro. Assim nasceu o Voxer. Em entrevista exclusiva para o GFC, o vocalista conta toda essa experiência!

 

Quais outros músicos participaram da gravação do disco. Ou você tocou todos os instrumentos?

Danyel Sueth - Na verdade, o Voxer é um projeto muito particular, eu compus e gravei todas as músicas praticamente sozinho, com algumas pequenas inserções de outros músicos, mas realmente é um trabalho solo, apesar da ideia ser montar uma banda pra tocar o disco, e não uma carreira solo. Não gosto dessa ideia de solo.

 

Então por que compor um disco sozinho?

DS - Eu não pensava em compor um disco, inicialmente. Resolvi gravar uma música sozinho, com uma pegada diferente do que faço com o Estado de Sítio. Mais pesado e com outras referências. Acabei me surpreendendo com o resultado. Logo vi que dali poderia nascer algo. Além do mais, eu queria ter um bom material para que eu pudesse pôr em prática tudo o que eu estava estudando em relação a gravações, mixagens e produção musical. Sendo uma coisa só minha, eu poderia ter mais liberdade de experimentar tudo o que quisesse. O resultado me pareceu uma junção de ideias coesas, que caberiam em um disco.

 

Qual a grande diferença entre as composições do Voxer e as do Estado de Sítio?

DS - A principal é a fonte diversificada de onde as músicas surgem. No Estado de Sítio tem outras pessoas compondo além de mim, e todas as músicas passam por um crivo acirrado dos demais integrantes da banda, onde todos opinam em tudo. É claro que é um processo bem mais desgastante e demorado, mas no geral, gosto do resultado posterior as intermináveis discussões num processo de composição. Já no Voxer, eu tive uma liberdade criativa que nunca tive antes, essas músicas não passaram pelo crivo de ninguém além do meu próprio, o que traz vantagens e desvantagens, obviamente. O processo é infinitamente mais rápido e indolor, mas a chance de errar também é maior.

 

Sobre o estúdio montado por vocês. É para gravação e ensaio? Está aberto para outros músicos que querem gravar seus discos?

DS - Quando resolvemos montar um estúdio próprio a ideia inicial era ter uma ferramenta que nos possibilitasse registrar com qualidade nossas músicas, mas hoje vejo que podemos fazer muito mais. Sempre procuramos nos manter próximos das pessoas e bandas que curtimos escutar, e agora com o estúdio podemos estreitar ainda mais os laços e criar novos. Penso que o “i9 Estúdio” pode ser uma mola propulsora para muitas bandas que pensam em tirar suas músicas da gaveta. Hoje é tudo muito caro. A dificuldade de ir até um estúdio gravar é enorme. Por isso, acho que podemos trazer condições diferenciadas. Pretendo produzir bandas cobrando praticamente a metade do preço do que se tem praticado no mercado, e produzir de verdade, não apenas sentar na cadeira e falar: pode tocar que estou gravando. A cena anda meio enfraquecida se a compararmos com alguns anos atrás, e se as bandas tiverem uma real possibilidade e condições para lançarem suas músicas e seus discos, todos tendem a ganhar, o mercado de show se aquece, forma-se um público, fomenta-se o surgimento de novas bandas, e por aí vai. Acho que vale a pena cobrar menos como forma de incentivo para o cenário local; não que os valores praticados no mercado sejam absurdos ou não valham o que se pede, mas fica puxado para uma banda com pouca estrutura que tem bancar tudo do próprio bolso gravar um número mínimo de músicas com boa qualidade. Ademais, eu não vivo exclusivamente disso, então proporcionar estas condições não afeta diretamente minha renda, diferente do que acontece em diversos estúdios.

 

Pode revelar as participações no Voxer? Músicos de outras bandas que fizeram parte do projeto?

DS - Como disse anteriormente, eu gravei praticamente tudo sozinho, mas o guitarrista Ricardo Muniz gravou uma das guitarras na faixa “Mar de Lama”, e o também guitarrista Neto Zitão gravou o solo de “Coagulado”. O resto foi comigo.

 

Durante os shows de divulgação, haverá as músicas do disco e ainda contará com covers?

DS - Ainda estamos juntando uma galera pra reproduzir o que foi gravado no disco, e se tudo der certo, logo faremos uma mini turnê de lançamento. Pelo menos na minha concepção, não penso em fazer cover, o lance é mostrar ao vivo o que está lá no disco, e acho que isso vai ser bem bacana, pois o disco já está com uma pegada forte. Mal posso esperar pra ver o resultado no palco.

 

O que o público pode esperar do Voxer?

DS - O Voxer tem um som pesado, com afinações graves conduzidas por riffs de guitarra, vocais com presença, porém, harmoniosos. Um diferencial também são as letras cantadas em português, algo meio incomum no estilo. Queria fazer um disco pra galera daqui e que todos pudessem entender as letras enquanto são cantadas. Então, para quem curte bandas neste estilo e tá afim de ouvir uma novidade rock n’ roll, acho que vale a pena dar uma conferida.

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