GUSTAVO URIBE E DANIEL CARVALHO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer fará uma ofensiva publicitária em rádios regionais no esforço de diminuir a resistência à reforma previdenciária nas bases eleitorais de parlamentares governistas.

A estratégia terá início a partir da semana que vem no Nordeste, região considerada o principal reduto eleitoral da oposição. A ideia é produzir conteúdo específico para as rádios nordestinas, rebatendo o discurso das siglas oposicionistas contra as mudanças na aposentadoria.

Nas últimas semanas, parlamentares governistas relataram ao Planalto que havia bastante resistência popular à iniciativa, com rumores de que a reforma acabaria com a aposentadoria no país.

O receio da gestão peemedebista é que a pressão das bases eleitorais possa reverter o voto de governistas, reforçando o risco de placar apertado para a aprovação da proposta em plenário.

Para tentar blindá-los, Temer recebeu sugestões da base aliada de rádios em que poderia comprar espaço publicitário para defender a reforma. O Palácio do Planalto avalia agora se elas se ajustam à estratégia governista e a critérios técnicos.

Segundo a reportagem apurou, aquelas que passarem pelo crivo governamental devem já ser contempladas com verba publicitária até o fim deste mês. Como o plano de mídia ainda não foi finalizado, não há ainda estimativa do custo da campanha.

Segundo a Secretaria de Imprensa da Presidência da República, em campanha nacional, a gestão peemedebista gastou até agora R$ 29,5 milhões com produção e veiculação de propagandas favoráveis à reforma. Só em rádios, foi R$ 1,9 milhão.

Além de rebater os partidos de oposição, o Palácio do Planalto pretende ressaltar nas campanhas locais pontos do relatório da reforma que condizem com o perfil da população regional. No Nordeste, por exemplo, serão abordadas as flexibilizações feitas na aposentadoria rural.

A equipe do presidente acredita que as flexibilizações feitas na reforma facilitam a busca por votos na base aliada. Para eles, no entanto, ainda é preciso reverter o clima negativo nas bases eleitorais.

"Na hora em que isso for percebido pela população, também vai influenciar no Congresso", disse o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo).
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