Os preconceituosos ladram, mas a caravana passa!

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Guardo essa coluna pronta há um tempo. Não a publiquei ainda, pois aguardava o momento ideal. E quer melhor que o Dia Internacional da Mulher? Gostaria de pedir aos senhores, homens leitores, que deixassem de lado agora tudo que já viram ou leram sobre a luta feminina. Para entender e compreender o que passa uma mulher no mundo feminino não é muito difícil, é só olhar para a causa de alguns problemas. Ela foi estuprada por que: é mulher. Ela ganha menos por que: é mulher. Ela apanhou por que: é mulher. Agora tente inverter a situação.. Se você fizer isso e ainda assim não conseguir visualizar, converse um pouco sobre isso com sua mãe, irmã, namorada, esposa.
Tenho tanta coisa para falar sobre este tema que não sei nem se vão terminar a leitura, já que a vontade que me dá é de nunca parar de escrever. Até porque boa parte do mundo feminino não entende a nossa motivação. Minha amiga mulher, ser mulher é ser o que ela quiser. “Ser bela, recata e do lar” não é errado. É errado achar que este perfil é sempre o correto. Assim como ser trabalhadora, namoradeira, pegadora, fiel, mãe, esposa, amiga, profissional não é certo ou errado. Faça o que te faz feliz e ponto.
Eu ganhei de presente da minha amiga Ana Clara Mastella (que é mulher pra caramba!), o livro da Rita Lee, sua autobiografia. Rita é uma mulher que sempre foi muito a frente do seu tempo. Vendo sua entrevista no programa do Bial, Rita contando sobre sua trajetória como uma mulher que desafiava os “bons costumes” da época. Nela, ela também conta que admira a luta feminista, porém sempre foi de fazer, não muito de falar. Cito a Rita porque ela foi pioneira em muitos pontos onde as mulheres eram subestimadas, ou até proibidas de algo. Quer um exemplo? Usar calça jeans. Éramos proibidas! Ritinha foi e pá. Apareceu no show de calça jeans.

Felizmente, cada vez mais vejo mulheres imponentes no setor imobiliário, que inclusive era bastante masculino. Tratar de negócios, investimentos, um valor relativamente alto em diversas negociações, quase sempre foi ligado ao homem, mas essa referência já mudou muito.

No entanto, hoje eu não quero citar só o meu setor, vamos falar no geral. Este ano o Messes – Movimento Empresarial do Sul do Espírito Santo, teve uma nova posse que foi passada de uma mulher para um homem, Maria Helena Nemer. Mulher renomada que comanda a TV Gazeta no Sul do Estado.
Ano passado tive a oportunidade de conhecer Norma Souza Gomes, corretora de imóveis em Juiz de Fora/MG. Sua historia é mais que inspiradora, é desbravadora. Hoje, a Souza Gomes tem seus méritos com seus filhos, uma das mais reconhecidas imobiliárias do País que tive o prazer em ficar 2 dias de imersão. Só que Norma foi quem realmente “sacudiu a poeira e deu a volta por cima.”
Ainda temos diversas representantes ocupando cargos de alta relevância na nossa sociedade e fazendo crescer cidades, como a nossa vereadora Renata Fiório, queridíssima por todos nós e competente no assunto.
A atual Presidente da Rede Netimóveis Cachoeiro, Adriana Sader, proprietária da Opção Netimóveis, um fortíssimo exemplo de que o mercado imobiliário não só tem espaço para o gênero feminino, mas comprova como conseguimos sempre dar conta de praticamente tudo. Organizada, consegue fazer a Netimóveis fluir tão bem que só nos motiva a seguir juntos.
Em 2016, fiz parte de um grupo com diversos empresários do Setor Imobiliário Nacional organizado pelo maior especialista do Mercado Imobiliário, Guilherme Machado, onde fiz bons amigos. Eu fui a primeira mulher do grupo durante o período de 1 ano, o que foi um grande momento, contudo demonstra ainda o quanto temos a crescer e evoluir, e o próprio grupo tem evoluído, com mais mulheres presentes.
Embora tenhamos as mulheres que ocupam cargos importantes no Brasil e em Cachoeiro, o que consequentemente acaba chamando mais atenção, hoje eu também gostaria de lembrar daquela que abdicou sua vida profissional em prol do cargo mais feminino que existe, a maternidade. Minha mãe, Marilene Tófano, e tantas outras que, como ela, não são nem um pouco menos importantes ou menos mulheres.
Bom, amigos, eu cresci ouvindo sobre a luta feminina. De quando a minha mãe teve que ser destituída do seu cargo de trabalho porque iria se casar, de quanto a minha amada Tia Marlene foi julgada por querer estudar ao invés de casar, de quando a minha avó não podia usar batom para não chamar a atenção da vizinhança, de quando a amiga está em um relacionamento abusivo e ela não pode cumprimentar ninguém, não pode dançar muito, não pode se destacar mais que o homem, e tudo isso sempre me tocou muito.
Hoje é coluna comemorativa. Citei tantos nomes e queria citar tantos mais: minha sogra, Valeria Vieira, minhas amigas, minhas irmãs. Temos muito a comemorar já, mas a luta nunca para. Como disse a Maju, do Jornal Nacional ao sofrer racismo, por ser uma mulher LINDA e negra: “Os preconceituosos ladram, mas a caravana passa”! Avante!

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