Não, o Rei não está nu!

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O Insucesso do carnaval 2018 de Cachoeiro

O REI É CAPAZ – Ilustração de Roberto Weigand para o livro A roupa nova do rei.

Através das redes sociais o cachoeirense mostrou sua indignação com o carnaval de Cachoeiro de Itapemirim. Acompanhando os fatos, as opiniões e os acertos e falhas da programação, vamos a uma breve análise.

Se não o fizesse, como vários prefeitos cancelaram o carnaval, estaria sendo crucificado do mesmo jeito. Então optou por fazer. Sobre as cifras, tudo que se faz em termos de prefeituras é caro, é burocrático. Certo ou errado cabe aos vereadores fiscalizarem de forma justa e coerente. De uma forma Victor Coelho quebrou paradigmas.

A estrutura – mesmo que questionável sob o ponto de vista dos custos e de onde algumas empresas são sediadas – foi impecável. Segurança com Polícia Militar e Guarda Civil Municipal, transporte e localização foram pensados para proporcionar o melhor aos foliões. Bom esse foi o objetivo que parece não ter agradado o Cachoeirense.

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A programação – que pecou por contratar apenas bandas de fora da cidade – foi desenvolvida para um carnaval familiar, contornando a não participação de agremiações e blocos.

A data, mais propícia para o número de pessoas que ficou em Cachoeiro – basta ver os centros comerciais, points, cidades vizinhas como Muqui, por exemplo – era o momento exato para se promover o carnaval.

 

Criticar é fácil. Apontar erros é uma tentação do ser humano desde que o mundo existe. Mas onde estavam os vereadores que tanto pedem ao prefeito? Onde estava a maioria do secretariado que depende do bom desempenho do governo para alçar vôos políticos em 2018? Onde estavam os funcionários públicos que só se manifestaram através das redes sociais?

 

E as entidades de classe, poderiam ter incentivado de alguma forma, não só financeiramente mas promovendo a harmonia entre população e o carnaval? Onde estão as lideranças que dependem da economia forte? Também dependem de apoio público para seus pleitos.

Rei Momo sem calças, espaço vazio no parque de exposições, funcionários da cultura dançando ao som das bandas importadas… críticas, críticas e mais críticas. E uma assessoria muda. Seria cômico, se não beirasse a tragédia.

Sim, nada é certo. Não é uma ciência exata. Não existe uma fórmula que garanta o sucesso de nada. A não ser trabalho. Mas julgar e condenar apenas por nossos sentimentos ou pela influência de falácias em facebook ou whatsapp não é o caminho mais inteligente.

Ouça a letra

Victor Coelho precisa se cercar de gente boa, fiel, capaz, leal e absolutamente sincera. Ele sabe disso. Mas o jogo no tabuleiro político depende de tempo e estratégias. Victor ainda não está usando a roupa nova do rei.

Se não deu certo, as variáveis são infinitas. Promover um evento é operação de risco. Seja privado ou público. Principalmente se o público não prestigiar algo que está sendo feito com seu dinheiro, para ele em condições favoráveis, como expostas acima.

Vejo muitas críticas mas vejo poucas ações. Afinal tudo que é de fora é melhor, e até a contratação das bandas do carnaval caiu nessa tentação. O que o cachoeirense precisa é valorizar sua terra. Sem essa peça fundamental nada – mesmo que seja um mega show nacional – vai valer a pena. Mudar a visão, quebrar paradigmas, estar junto na alegria e na tristeza.

Sim, o rei não está nu. O fato de Victor Coelho não estar no seu próprio carnaval se deve a vários motivos. Não questionáveis ou condenáveis. Seu staff estava lá. Tudo pronto. Tudo organizado, e diga-se de passagem muito bem feito.

 

Certo seria Victor estar do início ao fim. Quando o cidadão é eleito prefeito ou governador, ele se reveste da outorga do cargo. As vontades pessoais e as escolhas como religião, time, gostos e etc, devem sair de cena ficando em segundo plano.

 

Se deu errado, aí vai uma opinião muito pessoal, é por que o povo não foi. É o óbvio, mas por que não foi, se outros espaços em Cachoeiro estavam lotados, privados ou abertos, com música ao vivo, bebidas, comidas etc? Lá também tinham comerciantes que amargaram prejuízos.

E se não foi devemos fazer uma análise dessa atitude. Victor Coelho faz bom uso das redes sociais, era possível antes sua assessoria pesquisar quais os desejos dos munícipes? É um viés de possibilidades. Onde estavam seus aliados?

Foi o local? Tantos eventos como Expo Sul Rural, Festa de Cachoeiro, Feira da Bondade entre outras promoções são melhores realizados no parque de exposições.

O que realmente precisamos fazer é mobilizar a cidade ao crescimento e não ao retrocesso. Com aproximadamente 200 mil habitantes, cada um com sua voz pelas redes sociais, pelo menos metade deve promover coisas boas.

É assim que se constrói auto estima, ambiente sustentável e comércio forte. Sem esse sentimento, o orgulho de ser cachoeirense, nada, mas nada mesmo funciona.

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