O diretor do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Alegre, Dirceu Pratissoli, participou nessa terça-feira (19), na Assembleia Legislativa, de uma reunião da Comissão de Agricultura da Casa, para apresentar os projetos desenvolvidos pelo Centro, que faz parte do campus Sul Capixaba da Ufes.

Com sede em Alegre, o Centro conta com sete cursos de graduação, cinco cursos de mestrado e três de doutorado em áreas como Agronomia, Medicina Veterinária e Engenharia Florestal.

Entre os objetivos dos cursos estão a melhoria da qualidade da agricultura, dos rebanhos (principalmente bovinos, ovinos e suínos), o incentivo à agricultura familiar e o manejo de pragas e doenças, visando à redução do uso de agrotóxicos. “Já estamos conseguindo produzir morango sem nenhum grama de agrotóxico”, contou o professor.

Segundo ele, além do ensino e pesquisa, o centro também se dedica à transferência de tecnologias para a população, por meio de cursos, dias de campo e unidades demonstrativas para os produtores. “Nosso alvo é o filho do produtor. Ele é a geração futura do campo”, disse.

Interação

O vice-presidente da Comissão de Agricultura, deputado Padre Honório (PT), que é defensor dos produtos orgânicos, elogiou a iniciativa: “Fiquei satisfeito pela preocupação que vocês estão tendo em produzir um alimento mais limpo. Nosso Estado é um dos que mais usam veneno no país e no mundo. Hoje nós temos muitas universidades que preparam os agrônomos para serem vendedores de adubos químicos e venenos”, comentou o parlamentar.

Pesquisa da própria Ufes, divulgada com exclusividade pela Folha do Caparaó, mostrou os impactos do uso de defensivos agrícolas nos habitantes da região, que tem altos níveis de depressão. “Além dos distúrbios mentais, o agrotóxico está mudando até o nosso código genético. Iúna, Ibatiba, Muniz Freire, são municípios que têm alto índice de suicídios por uso desses produtos no café”, explicou Pratissoli.

Já a presidente do colegiado, Janete de Sá (PMN), questionou o professor sobre o desmatamento na região. “Uma das áreas mais devastadas do Estado é a região de Alegre. E lá tem o centro da Ufes que trata exatamente dessa questão do solo, da agronomia. No entanto, parece não haver uma conexão de um centro de ensino e pesquisa com a sociedade local. Até que ponto a população se apropria desse conhecimento para impedir que esse tipo de situação aconteça?”, quis saber a deputada.

O professor respondeu que a região é, historicamente, voltada para a pecuária. “A terra íngreme, desmatada, com o boi pisando, o que aconteceu? Aqueles minidesertos”, explicou. Segundo Dirceu Pratissoli, a universidade está se aproximando mais da população. “Estamos, hoje, numa nova era, que é sair da redoma e ir buscar o produtor”, disse.

Caparaó

De acordo com Dirceu Pratissoli, um dos principais projetos do centro é a instalação de um polo de fruticultura na região do Caparaó. “É uma região carente, que vive de leite e café. E o produtor está desistindo do campo”, relatou o professor. “O polo de fruticultura, quando o produtor for se inscrever, ele vai ter de passar por duas sessões: estudar a degradação do solo e o manejo da água. Depois ele vai receber a muda dele. Por que de que adianta dar a muda se ele não sabe onde vai irrigar e onde vai plantar?”, explicou o diretor.

Outro projeto é uma parceria com a Prefeitura de Guaçuí, que cederá um terreno para a universidade onde jovens em tratamento de dependência química trabalharão com floricultura e com a produção de mudas, como de hortelã, pimenta, entre outros.

Por fim, ele apresentou um projeto para instalação de uma estação de aviso para o controle de pragas e doenças nas plantas. A estação avisará os produtores em que período e onde há probabilidade da ocorrência de pragas. “Vamos poder informar ao produtor quando é possível a praga ocorrer, para ele não ficar jogando agrotóxico toda hora”,disse Pratissoli.

O campus

O campus Sul Capixaba da Ufes tem sede em Alegre e possui dois centros: o Centro de Ciências Agrárias e Engenharias e o Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde. No total, são 17 cursos de graduação, sete cursos de mestrado e três de doutorado nas cidades de Alegre, Guaçuí, Jerônimo Monteiro e São José do Calçado.

 

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